Olá, meu é Ricardo Troccoli. Sou músico, estudante de estatística e sobretudo louco por viagem. Aqui vou dividir algumas experiências com o intuito de ajudar outros viajantes, espero que gostem!
Em 1944, um dos meninos que nasceram em Teresina no dia 9 de novembro se chamava Torquato Pereira Araújo Neto. Viveu também em Salvador e cursou Jornalismo no Rio de Janeiro. Teve uma vida de grande agitação artística, além de participar da parte cultural do jornal que trabalhava, era poeta e fez parte da Tropicália. Em 1972 com grandes problemas existênciais, a luta pela música nacional, a oposição à contra a cultura meramente comercial e problemas profissionais culminaram no suicídio. Caetano Veloso não estava muito próximo de Torquato nessa época, já quase não o via mais, por mais que houvessem dividido grandes experiências e grandes parcerias na Tropicália. Alguns anos depois Caetano visitou Teresina, onde encontrou com o pai de Torquato, este o chamou para casa dele. Lá a mãe não estava, pois havia passado por uma pequena cirurgia um pouco antes e ainda estava hospitalizada. Em um encontro de poucas palavras, o pai de Torquato consolava o choro repentino de Caetano e lhe serviu uma cajuína. Um pouco depois ele deixou Caetano sozinho com a cajuína, e foi até o jardim e voltou com uma rosa-menina. Todo essa emoção foi excretada na música Cajuína. Meu pai que sempre foi um grande amante da música brasileira, sabia tocá-la no violão, e com todo o seu charme de nordestino de São Luis do Maranhão ganhou o coração da minha mãe por conta dessa música. Desde criança escuto isso, que essa música foi determinante para o casamento dos meus pais. Como o céu é azul, como a gravidade nos puxa para o centro da terra, está certo na minha cabeça que essa música juntou meus pais, logo aqui estamos eu e minha irmã. Existimos por que Torquato Neto optou por não existir.
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